A Maldição do Açúcar

 

   
Título Original: Le sucre, pour la douceur et pour le pire (Blood, Sweat and Sugar)
Realização: Mathilde Damoisel
Produção: Hauteville Productions / ARTE France
Ano: 2025
Género: Documentário
Duração: 2x ±55 minutos
Origem: TVrip
Legendas: PT-PT
   
Sinopse:
A história do açúcar ao longo de cinco séculos.

Conhecemos os seus malefícios, mas não a sua história... Em cinco séculos, o açúcar construiu um império e moldou o nosso mundo. Escravatura, trabalho forçado, exploração da terra: nos lugares sacrificados à sua monocultura, ontem como hoje, esta investigação histórica revela o amargo preço da nossa dependência coletiva da sua doçura.

 


Ep01
Flagelo para a saúde, o açúcar é também indissociável do capitalismo e dos crimes ligados à colonização e à escravatura. "Quando trabalhamos nos engenhos de açúcar e a mó nos apanha o dedo, cortam-nos a mão; quando tentamos fugir, cortam-nos a perna: vivi ambas as situações. É a esse preço que comem açúcar na Europa", relatava já Voltaire em Cândido, em 1759. Nessa época, o açúcar ganhava importância nos hábitos alimentares europeus: de 87 gramas por ano e por pessoa em 1600, o consumo atinge cerca de 9 quilos em 1800... Para responder a este crescimento desenfreado e altamente lucrativo, as grandes potências, encabeçadas pela França e Inglaterra, arrasaram florestas primárias para dar lugar ao cultivo da cana, reduziram populações indígenas à escravatura nas Caraíbas e, após o seu desaparecimento, recorreram aos africanos. Dos 12,5 milhões de escravos traficados, mais de metade foi escravizada para benefício das sociedades açucareiras. Já no final do século XVIII, os capitais acumulados permitem investir e financiar a revolução industrial, sendo o açúcar usado para alimentar operários com calorias acessíveis e baratas...



Ep02
No alvorecer do século XX, o açúcar liga o seu destino ao do império americano em plena expansão... Com o êxodo rural massivo provocado pelas revoluções industriais, o abastecimento alimentar das cidades torna-se uma fonte inesgotável de lucro para este conservante barato presente em todos os enlatados. Henry Osborne Havemeyer impõe-se como o primeiro magnata do açúcar moderno com a American Sugar Refining Company, que refina 98% da produção americana. Sucedem-lhe barões do açúcar que assumem o controlo das Caraíbas. Em Cuba, apropriam-se das terras e destroem os ecossistemas. Enquanto na Europa o cultivo da beterraba sacarina, em pleno crescimento, fornece uma arma perfeita para competir com o açúcar importado, os plantadores - agora obrigados a remunerar os seus antigos escravos - reprimem com violência qualquer tentativa de greve, muitas vezes com o apoio da polícia ou de milícias privadas ao seu serviço. Após a revolução cubana de 1959, Fidel Castro nacionaliza as fábricas e coletiviza as plantações, provocando a fuga dos proprietários americanos, que reinstalam-se na Florida e na República Dominicana. Hoje, a monocultura do açúcar mecaniza-se e volta a reinventar-se, sempre à custa dos seus trabalhadores. Será que emancipar-se do açúcar é um desafio impossível?

 

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